Volta à rotina: saiba como acostumar o seu cão ao final da quarentena




Não tem jeito, uma hora a quarentena vai terminar e logo todos vão voltar com suas rotinas e fatalmente a presença dentro de casa será menor.


Com a rotina imposta pela quarentena, os cães passaram a ter a companhia dos tutores por muito mais tempo

em casa e, com o convívio constante, ficaram mal acostumados em ter sempre alguém em casa e quase nunca

ficarem sozinhos.


O problema é que, embora o momento e as recomendações ainda sejam para se ter cautela, as medidas de distanciamento social vêm sendo flexibilizadas e algumas pessoas já estão retomando ao trabalho presencial.


Essa mudança abrupta pode ser uma experiência muito negativa para os cães, deixando-os estressados por ter que voltar a passar longas horas sozinhos e, consequentemente, causando problemas comportamentais como a Síndrome de Ansiedade de Separação (SAS). A SAS tem como principais sintomas: comportamento destrutivo, dermatite, choro e latido excessivos, perda de apetite, automutilação, hiperatividade e necessidades fisiológicas fora do local enquanto o tutor está fora.


Por isso o ideal é não esperar a quarentena terminar e se planejar para começar a agir agora mesmo!


O treinamento será composto por duas fases combinadas entre si: mudança comportamental e enriquecimento ambiental.


FASE 1: MUDANÇA COMPORTAMENTAL



Na mudança comportamental, a independência e obediência do cão devem ser incentivadas. Uma opção é deixá-lo comer sozinho em um cômodo ou que ele brinque sem ninguém. Sendo assim, ele saberá fazer essas coisas enquanto o tutor estiver fora. O ponto principal é ensinar o cão a tolerar a ausência do tutor, aos poucos, gradualmente, com saídas rápidas, aumentando o tempo fora com pequenos intervalos.


No início as saídas podem durar entre três e cinco minutos e, de acordo com a reação do cão, o tempo fora de casa pode ser aumentado para dez minutos e assim consecutivamente.


No retorno, o tutor não deve dar atenção ao cão, pois esse comportamento só o estaria reforçando negativamente, uma vez que a associação será excitação = atenção/recompensa. O primeiro contato deve ser tranquilo e sem afobação.


Lembrando que quanto maior a freqüência dos exercícios, mais rápido o objetivo será atingido.


Outra situação que pode ser treinada é fazer “saídas falsas”. Nessa repetição podem ser trabalhados outros gatilhos, como se calçar, pegar as chaves e mexer na maçaneta. Toda a sequência de preparativos para sair pode ser simulada, mas sem que ninguém saia de casa. Enquanto o cão permanecer excitado, o tutor deve ignorá-lo, até que ele se acalme e só nesse momento, interagir.


E, se estiver em home office, o tutor pode se arrumar todos os dias, como se fosse sair para trabalhar e se fechar no quarto ou em um cômodo por alguns minutos e depois sair normalmente.

Para tornar a experiência do cão positiva, facilitar sua adaptação e diminuir a sensação de solidão, o tutor pode deixar alguma peça de roupa no local onde o cão fica (como referência olfativa); e também deixar o rádio ligado, na AM, em um volume baixo, assim cria a impressão de que tem pessoas no ambiente. A TV não deve ser usada, pois os cães podem ficar mais ativos com as imagens ou a claridade da tela.


Além disso o local pode ser preparado antes (retirando possíveis alvos, como pano de prato, roupa no varal, chinelo, controle remoto ou qualquer possível alvo de destruição).


FASE 2: ENRIQUECIMENTO AMBIENTAL



Já com o enriquecimento ambiental, o objetivo é manter o cão entretido utilizando técnicas de associação positiva, condicionando um benefício a uma ação. O tutor pode oferecer brinquedos como bolinhas, comedouros lentos, brinquedos interativos ou mordedores, como os brinquedos de nylon.


É bom que, de vez em quando, os brinquedos sejam trocados (em sistema de rodízio) para que assim sempre tenha alguma novidade disponível.


Outra opção são os brinquedos caseiros, como garrafa pet e caixa de papelão; são brinquedos fáceis de fazer e com um preço baixo, mas em geral exigem atenção do tutor por conta da segurança. Para conhecer mais sobre esse tipo de brinquedo, você pode fazer o download gratuito do eBook Guia de Atividades Indoor aqui mesmo no nosso site, no link: https://www.fitdog.com.br/product-page/e-book-guia-de-atividades-indoor.



Um cão acostumado a atividades físicas e mentais vai superar mais facilmente a solidão quando a família tiver que ficar longos períodos fora de casa.


Uma curiosidade é que o comportamento destrutivo geralmente é devido ao fato de o cão aproveitar o momento da ausência do seu tutor para brincar e desenvolver condutas exploratórias normais nele, pois é castigado quando as realiza na frente do tutor. Por isso uma boa opção para saber como o cão se comporta é filmá-lo quando estiver sozinho em casa.


Importante! Castigar o cão por reincidências ou por comportamentos realizados durante a ausência do tutor não tem nenhum efeito positivo, pois o cão não vai entender o motivo do castigo.


E, para finalizar, não esqueça que os cães são animais sociais e precisam ter rotina. Comece a retomar ao ritmo normal, dando as refeições e fazendo os passeios e brincadeiras nos horários habituais, de acordo com a sua rotina anterior ao isolamento social. Se planeje e tenha paciência com o seu doguinho!



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O próximo assunto aqui do blog será sobre a alimentação de filhotes; as principais opções e como proporcionar um bom desenvolvimento ao seu doguinho. Não perca!


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