Cães de Guerra



Ao domesticar os cães, o ser humano logo soube que podia tirar proveito deles em atividades diversas, como por exemplo, em suas muitas batalhas. É assim que a participação dos cães em guerras está registrada desde a antiguidade.


Entre as diversas funções que os cães já exerceram durante as guerras ao longo da história, podemos destacar as funções de mensageiro; combatente; cargueiro (munições, alimentos ou medicamentos); portador de bombas; rastreador; mascote de unidades militares e até mesmo cão de terapia.


Apesar de todos os contra-argumentos de que os animais sentem prazer em grande parte dessas tarefas e têm inclinações naturais a executá-las, está claro que eles não estariam dispostos a se envolver em atividades que os matariam naturalmente. É mais um triste exemplo da longa história de governos colocando em risco animais como parte de suas atividades irresponsáveis e letais.


História


O homem começou a utilizar o cão para guerrear quando ainda lutava com arcos e flechas. E, certamente, continuará usando quando a sofisticação na chamada arte da guerra alcançar barreiras imprevisíveis, infelizmente.



Supõe-se que Alexandre, o Grande levou para a Grécia o Molossus (uma raça de cães já extinta), para incorporá-lo a seus exércitos, tanto como combatente como para transportar armas e alimentos. Além disso, alguns animais cumpriam funções de mensageiros. O império romano também se valeu de cães para suas guerras e para os seus sangrentos espetáculos de circo.


Durante a Idade Média, a utilização dos cães em guerras não apresentou grandes mudanças. Também, como outros critérios para a criação destes animais foram introduzidos, surgiram raças novas, principalmente as de companhia, que até aquele momento eram exclusividade dos nobres e de cortesãos.


Quando os espanhóis invadiram o continente americano levaram com eles os cães da raça Fila, descendentes dos Molossos, que tiveram o trabalho de sentinelas, para avisarem de ataques e emboscadas; nos enfrentamentos com os

indígenas e executores de sentenças e castigos.



Com o aperfeiçoamento das armas de fogo e das técnicas de combate, o uso dos cães nas guerras foi decaindo até finais do século XIX, quando eles começaram a ser instruídos para procurar feridos e para serem mensageiros.

Além disso, os cães deviam ser educados para se acostumarem aos ruídos das armas de fogo e dos distintos veículos utilizados.


Entretanto, no século XX, os cães voltaram a ser protagonistas nos grandes conflitos bélicos, como os da Primeira Guerra Mundial e da Segunda Guerra mundial.


Alguns cães receberam tarefas diferentes, como levar correspondências, farejar bombas, transportar mantimentos e limpar os ratos das trincheiras e navios. Vários relatos a respeito dos animais na Primeira Guerra os descrevem como heróis involuntários, mas poucos questionam o barbarismo dessas práticas.


Os cães ainda foram amplamente utilizados pelos exércitos americano e britânico nas guerras no Oriente Médio.

No Afeganistão e no Iraque, os cães foram primariamente utilizados para localizar bombas em estradas.


Cães heróis de guerra



Stubby foi adotado ainda filhote, pelo soldado J. Robert Conroy, em 1917, o cão era sem raça definida, nascido do cruzamento entre um Pitbull e um Terrier. O cão foi encontrado na região do campus da Universidade Yale, em Connecticut (EUA), enquanto observava um treinamento do exército.


A presença de Stubby foi se mostrando mais útil do que se poderia imaginar quando, em um ataque de bombas de gás (no qual ele e seu tutor sobrevieram graças ao uso de máscaras de proteção), o cãozinho passou a identificar, pelo olfato, novos ataques, podendo assim avisar aos companheiros de exército com antecedência, os salvando de ataques alemães. A proeza do animal o rendeu a primeira condecoração, se tornando primeiro cabo do exército.


Sua maior honraria veio quando ele conseguiu identificar um espião alemão, que estava tentando mapear as trincheiras americanas. O cão saltou sobre o espião, o mordendo e imobilizando com seus dentes, o soltando apenas quando seus companheiros americanos chegaram. Após esse novo ato heroico, Stubby foi promovido pelo comandante da 102ª Infantaria ao posto de sargento, se tornando o primeiro cachorro da história a atingir esse posto militar.


Ele faleceu em 1923, enquanto dormia. Em 2018 a sua história foi contada em um filme de animação, chamado

Sgt. Stubby: An American Hero”.



Em março de 1944, Smoky, uma cachorrinha da raça Yorkshire foi encontrada por um cabo do exército americano, durante os conflitos da Segunda Guerra Mundial, na Nova Guiné. Após se certificar de que a cadelinha não teria dono, o homem logo decidiu que iria vendê-la; foi então que o soldado chamado Bill Wynne, de 22 anos, que viveu com animais de estimação, decidiu pagar o preço exigido pela cachorrinha, passando a cuidar da nova amiga.


Alguns anos depois, Bill pegou dengue e foi enviado para a 233ª Estação Hospitalar, onde ficou internado. Alguns dias depois, os amigos de exército levaram Smoky para vê-lo. As enfermeiras se encantaram com a cachorrinha e pediram para levá-la para visitar outros pacientes feridos na invasão da Ilha Biak. Smoky passou cinco dias no hospital, onde dormia com seu tutor durante a noite e visitava outros pacientes durante o dia, se tornando assim um dos primeiros cães de terapia da história.


Smoky faleceu aos 14 anos, e, em 2005, uma escultura em sua homenagem foi feita, sendo instalada no mesmo local em que foi enterrada. Sua história é contada no “Yorkie Doodle Dandy: A Memoir”, livro de autoria do próprio Wynne, que faleceu em 2021.



Judy, uma Pointer inglesa nascida na China, foi adotada pela tripulação de um navio da Marinha Real Britânica, em 1942. Época em que os navios adotavam animais, como cães e gatos, para ajudar na segurança dos navios e no controle de pragas. Contudo, Judy logo se tornou mascote da tripulação, sendo tratada como um dos marinheiros.


Quando seu navio foi atacado pelo exército japonês e, após parte da tripulação ficar perdida em uma ilha do Mar da China Meridional, Judy ajudou os marinheiros a encontrarem água potável; mas, algum tempo depois, foram encontrados pelo exército japonês e levados até um campo de prisioneiros, localizado na Indonésia.


Já no campo de prisioneiros, a cadelinha conheceu o aviador Frank Williams, que passou a alimentá-la. Todos os prisioneiros a tratavam muito bem, mas Frank temia que ela sofresse maus-tratos por parte dos soldados japoneses e, com um acordo, ele conseguiu que Judy fosse registrada como mais uma das prisioneiras, assim podendo receber a mesma proteção que os demais internos.


Em 1945, ao fim da Segunda Guerra Mundial, os prisioneiros foram libertados e seriam levados de volta para casa. Frank precisou contar com a ajuda de alguns amigos para distrair os guardas e conseguir embarcar sua fiel amiga, já que o navio não aceitava animais a bordo. Já em terras britânicas, Judy foi reconhecida como heroína de guerra e condecorada em 1946, com a Medalha Dickin, condecoração britânica especial para animais que serviram na guerra.


Judy e Frank viveram umas vidas pacatas até 1950, quando Judy precisou ser sacrificada, aos 13 anos, devido a um tumor. A história de Judy foi contada no livro "Judy: The Unforgettable Story of the Dog Who Went to War and Became a True Hero", de Damien Lewis.


Conclusão


Apesar do tema "guerra", essas três história nos revelam o que de mais extraordinário pode existir na relação homem e animal: mesmo nas dificuldades, eles estão ao nosso lado, sendo leais e companheiros para a vida toda.


Os cães são muito mais do que "animais de estimação", são parceiros que nos ensinam muito diariamente e nos ajudam em diversos âmbitos, seja na área da medicina ou até mesmo como guias e cães de alerta (no auxílio de pessoas com crise epilética, apneia, ou hipoglicemia).


Por fim, esperamos que os homens parem de causar guerras e, principalmente, de usar animais inocentes em suas batalhas.


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