Treinamento de cães-guias


Vinte e cinco de abril foi o Dia Internacional do Cão-Guia; uma data para celebrar e homenagear os cães-guias e os seus treinadores pelo importante papel que exercem na promoção de melhorias da mobilidade de pessoas com deficiência visual.


A primeira tentativa de treinar cães-guias ocorreu na década de 1780 no hospital para deficientes visuais Les Quinze-Vingts, em Paris. Depois, em 1819, Johann Wilhelm Klein, fundador do Instituto para a Educação de Deficientes Visuais (Blinden-Erziehungs-Institut) em Viena, mencionou o conceito do cão-guia em seu livro sobre educação de cegos e descreveu seu método para treinar cães.


A história moderna dos cães-guias começa mesmo é durante a 1ª Guerra Mundial, quando milhares de soldados perderam a visão em combate. Na oportunidade, o médico alemão, Dr. Gerhard Stalling, teve a ideia de treinar cães para ajudar os afetados quando acidentalmente presenciou sua própria Pastora alemã cuidando de um paciente.


O Dr. Stalling começou a explorar maneiras de treinar cães para se tornarem guias confiáveis ​​e em agosto de 1916, junto com a Cruz Vermelha alemã, fundou a primeira escola de cães-guia do mundo, na cidade de Oldenburg. A escola abriu muitas filiais na Alemanha treinando até 600 cães por ano, fornecendo cães não apenas para ex-militares na Alemanha, mas também para pacientes de outros países.



Já no Brasil, a utilização de cães-guias foi iniciada nos anos 1950, e hoje se estima que existam no país cerca de 200 cães-guias apenas; isso acontece por carência de voluntários para a socialização dos animais e, principalmente, pela falta de incentivo financeiro.


Atualmente, Labradores e Goldens retriviers são as raças preferidas para a função. Apesar das capacidades serem as mesmas, para algumas pessoas essas raças são mais carinhosas e têm a aparência mais amigável e menos intimidadora do que o Pastor alemão.


Treinamento


O cão-guia é um animal adestrado especialmente para ajudar deficientes visuais em seu cotidiano com tarefas que demandam maior atenção e cuidado. Dessa forma, eles passam por um rigoroso treinamento, que é composto por três fases: socialização, treinamento e instrução, e começa quando esses cães ainda são filhotes.


A partir dos três meses de vida e por cerca de um ano, o cãozinho passa pela socialização, a primeira fase de treinamento. Nesse período, é adotado por uma família provisória, que fica responsável por apresentar o bichinho às situações do dia a dia; o objetivo é se acostumar com a vida em sociedade.


Na sequência, o cachorro é devolvido ao centro de treinamento para aprender os comandos básicos de obediência. Ele passa a usar a guia, uma espécie de “colete” com uma alça rígida que serve de comunicação com o humano. O cão vai assimilar que, enquanto estiver com o acessório, está trabalhando. Ao tirá-lo, sabe que está liberado para brincar.


O treinamento dura de cinco a oito meses e se baseia em comandos verbais e repetição. Por exemplo, uma das lições mais importantes é andar em linha reta: quando o cão se desvia do caminho, o treinador simplesmente para. O exercício é repetido até o cãozinho entender que não pode sair da rota.


Já para ensiná-lo a parar no meio-fio, o treinador pode fazer um incentivo físico, colocando a mão para fazê-lo abaixar. Até que ele compreenda e sente sozinho, a técnica é reprisada. A repetição de comandos também serve para o cachorro aprender a seguir em frente: ele vai entender que, quando os carros param, é hora de andar.


Uma parte importante é ensinar a desobediência inteligente, isto é, a hora de ignorar os comandos. O cão aprende a reconhecer situações de perigo, como buracos, e, quando as encontra, se recusa a seguir a ordem de andar. O tutor precisa confiar no instinto do bicho e não forçar a barra: os dois devem agir como um time.


Por isso, antes da doação final, o cão e o seu futuro tutor passam por um período de adaptação no qual precisarão formar uma parceria. São considerados vários fatores para a formação da dupla, tais como a habilidade global para controlar o cachorro e as condições e o tipo de moradia que ambos terão no seu dia a dia. Como cachorros e pessoas têm temperamentos diferentes, todas as diferenças são levadas em conta em cada uma das fases de treinamento.



Importante:


- Os cães-guia não devem ser tocados ou tentados a brincadeiras por pessoas estranhas durante o trabalho, portanto nunca devem ser distraídos. Isso quer dizer que você não pode interagir com eles quando estiverem auxiliando os seus tutores. Assim, caso encontre um cão desses, não faça carinho e o deixe desempenhar o seu papel.


- Conforme a legislação (Lei 11.126/05), os cães-guias têm acesso irrestrito a todos os lugares frequentados por seus tutores, como restaurantes, empresas públicas, estações do metrô e até aviões, agindo literalmente como os olhos dessas pessoas.

Curiosidade


Um cão cego virou notícia no mundo por possuir seu próprio cão-guia. Quem adotar Clyde terá que levar junto sua fiel companheira, Bonnie, pois não move uma pata sem ela.


Bonnie e Clyde, ambos da raça Border Collie, foram encontrados nas ruas de Blundeston (Inglaterra), no meio de uma tempestade e não possuíam identificação. Os cães foram levados ao Conselho do Distrito de Waveney, mas ninguém foi reclamar por eles.


Clyde, quando não sabe ao certo onde está, posiciona-se imediatamente atrás de Bonnie para que possa guiá-lo.



Os cães-guias são os olhos, companhias inseparáveis e dão autonomia e independência para os deficientes visuais; além de auxiliar na mobilidade, eles são essenciais para devolver a autoestima e promover uma melhor qualidade de vida dessas pessoas.


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