Domesticação de lobos



A relação entre o homem e o cão começou na época em que nossos ancestrais viviam em tribos nômades, de caçadores e coletores, antes mesmo da descoberta da agricultura.


Selada durante a última Era do Gelo, quando lobos selvagens foram domesticados, a parceria entre

seres humanos e cães pode ser descrita como uma história de sucesso.


O início da relação


No cenário “romântico”, o homem primitivo capturou um filhote ou uma ninhada de filhotes de lobo e selecionou-os levando em conta o fator beleza.


A partir dessa relação inicial de cuidados, é provável que uma utilidade muito concreta tenha sido levada em conta: aqueles animais alertavam o acampamento para a aproximação de intrusos, rastreavam presas feridas, que de outro modo escapariam, ou denunciavam a presença de caça indetectável pelos sentidos mais limitados dos humanos.


Segundo uma variante do cenário “romântico”, homens primitivos e lobos caçavam a mesma presa e aos poucos foram se associando por estarem em trilhas evolucionárias paralelas.


Uma relação simbiótica se desenvolveu porque havia benefícios para ambas as espécies. Como, em geral, se acredita que os lobos vivam em uma hierarquia de poder, a credibilidade do cenário romântico foi reforçada pela hipótese de que esse arranjo colocaria os humanos na posição de “líderes de matilha” substitutos.



Em 2016 um segundo cenário foi montado pelos biólogos Lorna e Raymond Coppinger, que acreditam que um processo de seleção genética deve ter ocorrido naturalmente, e não artificialmente.


Eles sustentam que esse mecanismo seletivo natural apareceu quando os homens passaram a viver em aldeias e a depositar seu lixo fora dos limites da área habitada.


Involuntariamente, pela concentração de recursos, os antigos aldeões acabaram por selecionar, no genoma inteiro dos lobos selvagens, os menos ariscos (com traço de acessibilidade): nesse cenário, ao longo dos anos, os lobos foram perdendo o medo de humanos ao ponto de, voluntariamente, cruzarem a linha entre a vida selvagem e a sociedade dos homens.


Um estudo publicado em 2021 reforça essa teoria; segundo pesquisadores da Finnish Food Authority, órgão do Ministério da Agricultura da Finlândia, o motivo mais provável para a parceria foi a abundância de proteínas que as populações humanas, por meio da caça, conseguiam acumular para manter ambas as espécies alimentadas nos duros meses de inverno. Isso levou à diminuição da competição entre elas.


O estudo se baseou em modelos para calcular quanta energia as presas capturadas (veados, alces e cavalos) proporcionariam: todos os animais consumidos pelo ser humano teriam fornecido mais proteína do que o necessário para sua sobrevivência — se os homens e os lobos tivessem lutado por esses recursos, a cooperação entre as duas espécies jamais teria surgido.


E juntos, segundo um estudo de pesquisadores da Universidade de Buffalo (EUA), eles se espalharam pelo mundo. Um fragmento de osso canino com cerca de 10.150 anos, achado às margens do Golfo do Alasca, pode indicar a rota que os primeiros seres humanos usaram para migrar da Eurásia para o continente americano. Segundo os pesquisadores, os restos do fêmur fossilizado são os mais antigos registros de um cão doméstico nas Américas.



A análise de isótopos de carbono do fragmento mostrou que o animal foi alimentado por humanos com salmão e carne de baleia e de foca, o que contrasta fortemente com a dieta de outros cães ancestrais habitantes do centro do continente, que consumiam uma dieta muito mais terrestre.


O genoma mitocondrial, passado de mãe para filho, revelou que ele pertencia a uma linhagem que se separou dos cães siberianos há 16,7 mil anos, compartilhando um ancestral comum com cães que viveram em solo americano antes da chegada dos colonizadores europeus.


Fato é que, depois de milhares de anos, a evolução genética do Canis lupus familiaris permitiu ampla variação em tamanho, cor e comportamento. Além disso, muitas raças foram desenvolvidas com propósitos específicos, como docilidade, pastoreio, recuperação de presas para caçadores, tração, companhia, etc. Mas, embora haja diferenças entre elas, no geral, são bastante semelhantes e frequentemente lembram o seu parente (agora distante), o lobo.


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